A semana em que a estratégia da Disney foi colocada à prova. Agora tudo acontece em segundos

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  • Global Serviços Comerciais - Top Serrana - Editor Executivo: Gilvan Costa

Josh D’Amaro mal assumiu como CEO da Disney e já enfrentou um teste que muitos líderes levam anos para viver.

Em menos de uma semana no cargo, duas das principais apostas tecnológicas da companhia sofreram abalos relevantes:

  • Epic Games anunciou a demissão de cerca de 1.000 funcionários, após queda de engajamento em seus principais produtos.
  • A OpenAI encerrou o Sora, seu gerador de vídeo com IA — junto com a parceria bilionária com a Disney.

Não é mero azar de timing. É o retrato de uma estratégia ousada encontrando a realidade.

Essa história não começa agora

Para entender o que aconteceu, é preciso voltar alguns anos e conectar os pontos.

Tudo começa longe de Hollywood. Nós criamos uma linha do tempo para ficar mais claro:

2007 — Um estúdio no Brasil entra no jogo global

A Aquiris nasce em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Um estúdio brasileiro, focado em games com alcance internacional.

Na época, parecia apenas mais um player tentando espaço. Seus games fizeram sucesso e traziam a identidade brasileira: corridas de carro por ruas que emulavam as principais capitais, versões que homenageavam Ayrton Senna.

O sucesso foi tanto, que chamou a atenção de um poderoso player: a Epic Games.

2022–2023 — Epic começa a montar seu ecossistema

A Epic Games investe — e depois adquire — a Aquiris.

Ela vira Epic Games Brasil, marcando a expansão global da empresa.

Aqui, o jogo muda: não é mais sobre games isolados. É sobre construir um ecossistema global de criação e distribuição.

O panorama era de prosperidade.

2024 — A Disney entra no jogo (e muda o nível)

A Disney investe US$ 1,5 bilhão na Epic Games.

O objetivo? Criar um universo digital com seus personagens dentro do ecossistema da Epic, algo próximo de um “metaverso Disney”.

Nesse momento, a empresa dá um passo decisivo: deixa de ser apenas uma produtora de conteúdo e passa a apostar em plataformas.

E quem lidera esse movimento? O próprio Josh D’Amaro, hoje CEO da Disney.

2025 — A aposta em IA ganha escala

A Disney investe US$ 1 bilhão na OpenAI.

O plano era ambicioso: usar IA para criação de conteúdo, liberar mais de 200 personagens para geração de vídeos, permitir que fãs criassem experiências com propriedade intelectual da Disney.

Era a tentativa de conectar:
IP + IA + participação do usuário

2026: a realidade chega rápido

D’Amaro assume como CEO em 18 de março.

No mesmo dia, apresenta uma visão clara: transformar a Disney em uma plataforma de experiências mais conectadas, personalizadas e imersivas — integrando streaming, games e tecnologia.

A tese fazia total sentido.

Até deixar de fazer, mais rápido do que se imaginava.

Primeiro choque: OpenAI encerra o Sora

Horas após a Epic Games anunciar cortes, a OpenAI decide encerrar o Sora.

Resultado:

Fim da parceria com a Disney. Aposta de US$ 1 bilhão perde tração e sentido.

Um dos pilares da estratégia simplesmente deixa de existir.

A justificativa? Simplificação de produtos.

Segundo choque: Epic perde fôlego

A Epic Games anuncia demissões em massa. 

Os motivos:

  • Queda de engajamento
  • Custos maiores que receita

O mesmo ecossistema que sustentava a aposta da Disney agora mostra fragilidade.

O que isso revela (de verdade)

A Disney tentou fazer o movimento certo:

Entrar em plataformas (Epic)

Apostar em IA generativa (OpenAI)

Transformar conteúdo em experiência interativa

Tudo alinhado com o futuro.

Mas esbarrou em três pontos clássicos:

1. Tecnologia ainda em construção

IA generativa ainda é instável, volátil e sujeita a mudanças rápidas.

2. Modelos de negócio não consolidados

Metaverso, games como plataforma e conteúdo gerado por usuário ainda estão sendo testados.

3. Dependência de parceiros

Quando a estratégia depende de terceiros, o risco não está sob seu controle.

O novo jogo do entretenimento (e dos negócios)

O plano de D’Amaro continua claro:

  • Transformar o Disney+ em um hub de experiências
  • Integrar conteúdo, jogos e interação
  • Criar uma relação contínua com o consumidor

Mas agora, com uma lição antecipada: o futuro não falha. A execução prematura, sim, falha.

O ponto final

A história que começou com um estúdio brasileiro, passou por uma gigante de games e chegou à Disney mostra algo maior:

Empresas (e seus líderes) erram, independente do tamanho (ou do cargo).

Estamos vendo indústrias inteiras sendo reconstruídas em tempo real.

E nesse cenário, a pergunta não é mais: “em que apostar?”

Mas sim: “quando — e com que maturidade — executar?”

 

Fonte: Bruno Lois, Editor da .StartSe

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